Sentada na cadeirinha deveria estar entediada, mas Alice viajando é uma viagem.
- pai, vamos brincar de ver nuvens?
Eu topo na hora:
- vamos! - e aproveito para começar - aquela nuvem ali parece um coelho.
Não me dá bola, afinal Alice não é uma observadora de nuvens comum:
- aquela ali parece um porco fugindo de um dinossauro!
- parece? – não tiro o olho da estrada, apesar da curiosidade me cutucar com um bastão de beisebol.
- sim. E aquela outra nuvem é uma sereia bebê.
Tem um prego na ponta do bastão de beisebol, mas estou a cento quilômetros por hora, não vou olhar, só posso especular:
- por que sereia bebê?
- porque ela não tem cabelos e se não tem cabelos é porque ainda é bebê. Só os bebês e os muito velhinhos não têm cabelos, mas não existe sereia velha, então só pode ser uma sereia bebê!
- é... Tem lógica.
Alice já está em outra dimensão, não dá bola para meu comentário e vai apontando as inúmeras nuvens no céu e dando formas:
- ali uma lagosta voadora! Olha, pai... Ao lado do cachorro com orelhas furadas. E o patinho de bico grande! A onça pintada, olha pai, olha logo, uma onça pintada com medo do elefante sonolento. Acho que ele vai dormir...
Queria muito observar as nuvens e tentar enxergar de onde Lili está tirando tudo isso, mas eu só dirijo! Rodovia dos Bandeirantes, estamos voltando pra casa. O bastão de beisebol comendo solto!
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