Alice comecou a descer sozinha para o playground, está muito orgulhosa de si mesma com a independência de ir e vir dentro do condomínio. Mal sabe que é vigiada por câmeras e olhos fraternos cem por cento do tempo que fica fora do apartamento. Daí chega do térreo com uma flor, coloca sobre o teclado do meu notebook e antes que eu diga qualquer coisa já explica tudo. Tudo mesmo!
- Pai, eu trouxe uma flor para cada pessoa da família e essa é a tua flor. Vou colocar ela aqui porque não atrapalha nada, nem atrapalha escrever, nem atrapalha você ver o seus trabalhos e você fica sentindo o perfume dela enquanto faz tuas coisas no computador. Não precisa se preocupar porque eu não matei nenhuma dessas flores, elas já estavam todas caídas no chão quando eu cheguei, estavam desfalecidas (eu não lembro a última vez que usei essa palavra e me surpreendo que Lili saiba o significado), e eu peguei para enfeitar o espaço de cada pessoa da família antes de morrerem completamente. Tem até para a enfeitar a cama da Juju, mas a flor da Juju eu vou colocar na cama dela só a noite, senão a Juju vai comer a flor, ela morde tudo, não sabe que flor é só para enfeitar.
Atravessa a sala e vai entregar a flor da irmã, explica tudo novamente e anuncia que vai colocar uma flor no travesseiro da mãe - surpresa para quando ela chegar do trabalho, explica lá da porta do quarto. Eu já parei de trabalhar. Quando Alice volta das incursões no térreo tem muita coisa para contar e é melhor não resistir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário